Brincadeiras com sons do corpo, objetos, instrumentos, movimento e criação musical
A música faz parte da vida das crianças desde muito cedo. Cantigas, sons do ambiente, palmas, batidas, movimentos e diferentes ritmos despertam curiosidade e convidam à participação.
Na Educação Infantil, as experiências musicais não precisam acontecer apenas quando o professor coloca uma música para as crianças ouvirem ou repetirem determinados movimentos.
Podemos oferecer oportunidades para que elas escutem, experimentem, produzam sons, movimentem o corpo, descubram ritmos e façam suas próprias criações sonoras.
E para fazer música não precisamos começar com instrumentos sofisticados.
Às vezes, o primeiro instrumento está bem pertinho:
o próprio corpo! 👏👣🎶
👶 Para quais idades?
As propostas podem ser adaptadas para:
Bebês: zero a 1 ano e 6 meses
Crianças bem pequenas: 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses
Crianças pequenas: 4 anos a 5 anos e 11 meses
Cada experiência deve respeitar o desenvolvimento, o interesse e as possibilidades de participação das crianças.
🧺 Você vai precisar
Instrumentos musicais adequados à faixa etária, chocalhos, tambores, potes, colheres de madeira, caixas, tecidos, materiais sonoros seguros e músicas de diferentes ritmos e estilos.
Com os bebês, atenção especial ao tamanho e à segurança dos objetos, evitando peças pequenas ou materiais que possam se desprender.
👏 1. Descobrindo os sons do corpo
Convide as crianças a investigar:
“Será que nosso corpo consegue produzir sons?”
Experimente bater palmas, bater suavemente os pés no chão, estalar a língua ou produzir diferentes sons com a voz.
Depois, deixe que as próprias crianças descubram outras possibilidades.
O professor pode acompanhar e valorizar suas descobertas:
“Você encontrou um som diferente!”
“Vamos tentar fazer esse som também?”
A proposta transforma o corpo em instrumento de investigação.
👂 2. Caçadores de sons
Convide o grupo para alguns momentos de escuta.
Pergunte:
“Que sons conseguimos ouvir daqui?”
Pode aparecer o canto de um pássaro, uma porta abrindo, pessoas conversando, o vento, passos no corredor ou um veículo passando.
Com as crianças maiores, faça um pequeno passeio pelos espaços da instituição para investigar diferentes paisagens sonoras.
Depois conversem:
“Qual som era forte?”
“Qual parecia estar longe?”
“Qual vocês mais gostaram de ouvir?”
A experiência ajuda as crianças a perceber que o mundo também está cheio de sons fora das músicas.
🥁 3. O que acontece quando eu bato, sacudo ou raspo?
Disponibilize diferentes objetos seguros e permita a exploração.
Uma caixa pode virar tambor.
Um pote pode produzir outro tipo de som.
Um chocalho muda quando é movimentado de maneiras diferentes.
Em vez de demonstrar todas as possibilidades, dê tempo para que as crianças investiguem.
“O que aconteceu quando você bateu?”
“E se sacudir?”
“Esses dois objetos fazem o mesmo som?”
Aqui, o som nasce da descoberta.
🐢 4. Devagarinho... agora mais rápido!
Escolha uma música ou produza uma pulsação simples com um instrumento.
Convide as crianças a movimentarem-se acompanhando diferentes velocidades.
Quando o ritmo estiver mais lento, os movimentos podem ficar mais tranquilos.
Quando acelerar, o corpo pode responder de outra maneira.
Mas cuidado: não queremos transformar a experiência em uma prova para descobrir quem consegue acompanhar perfeitamente.
O interessante é perceber como cada criança interpreta o ritmo com o próprio corpo.
🔊 5. Sons fortes e sons suaves
Explore contrastes sonoros.
O professor pode produzir um som mais intenso e depois outro mais suave.
Pergunte:
“O que mudou?”
Depois, as crianças experimentam.
Também podemos brincar com a voz, respeitando o conforto auditivo do grupo.
Não é necessário transformar o “som forte” numa competição para descobrir quem consegue acordar a escola inteira. 🤣📢
A intenção é perceber diferenças e experimentar possibilidades sonoras.
🤫 6. Quando o som encontra o silêncio
Essa experiência pode ser muito divertida.
As crianças produzem sons com instrumentos, objetos ou com o corpo.
Em determinado momento, o professor faz um gesto combinado e todos experimentam uma pequena pausa.
Depois, o som retorna.
Aos poucos, as crianças percebem que o silêncio também participa da experiência musical.
Com os pequenos, as pausas devem ser breves e brincantes — nada de exigir que permaneçam imóveis e em absoluto silêncio.
🎶 7. Eu faço, você responde
O professor produz uma pequena sequência sonora:
palma – palma – pé
As crianças podem responder à sua maneira.
Depois, uma criança pode inventar uma sequência para o grupo experimentar.
Com as crianças menores, basta explorar a ideia de imitação e resposta.
Com as maiores, podem surgir sequências progressivamente mais variadas.
O importante não é reproduzir tudo perfeitamente, mas escutar, participar, criar e interagir.
💃 8. O ritmo movimenta o corpo
Apresente músicas variadas e deixe espaço para que as crianças se movimentem livremente.
Tecidos leves, fitas largas apropriadas à idade ou lenços podem ampliar a experiência.
Observe como cada criança responde à música.
Algumas balançam o corpo.
Outras giram.
Pulam.
Movimentam os braços.
Ou simplesmente observam antes de participar.
Todas essas respostas podem fazer parte da experiência.
A música não precisa vir acompanhada de uma coreografia pronta.
O corpo da criança também pode inventar a dança.
🪇 9. Construindo instrumentos sonoros
Com as crianças maiores, alguns instrumentos simples podem ser confeccionados com materiais reutilizáveis seguros.
Antes da construção, investiguem os materiais:
“Que som este objeto produz?”
“O que podemos fazer para mudar esse som?”
Depois, experimentem as criações acompanhando cantigas ou produzindo pequenas sequências sonoras.
Mais importante que produzir um instrumento “bonitinho” para levar para casa é permitir que a criança participe da investigação e da construção.
Com bebês, prefira instrumentos prontos, resistentes e adequados à idade.
🎼 10. A orquestra das descobertas
Organize os materiais sonoros utilizados durante as experiências.
Cada criança pode escolher um instrumento ou objeto.
O professor inicia uma pulsação simples e o grupo experimenta produzir sons coletivamente.
Depois podemos brincar:
Só os chocalhos...
Agora os tambores...
Todo mundo junto!
Também podemos inverter os papéis e deixar uma criança indicar quando determinado grupo toca.
Não buscamos uma apresentação perfeita.
Nossa orquestra pode ter alguns músicos distraídos, um percussionista que resolveu dançar e outro que abandonou o instrumento para investigar uma caixa. 🤣
Ainda assim, existe aprendizagem acontecendo.
👶 E com os bebês?
Com os bebês, música e exploração sonora podem fazer parte da rotina de maneira muito natural.
Ofereça chocalhos e instrumentos seguros, cante olhando para o bebê, produza sons suaves com diferentes objetos e permita que ele descubra o que acontece quando bate, sacode ou movimenta um material.
Observe suas respostas.
O bebê pode sorrir, balançar o corpo, movimentar braços e pernas, vocalizar, olhar atentamente para a fonte sonora ou tentar repetir uma ação.
Também podemos cantar músicas conhecidas fazendo pequenas pausas e observando se o bebê reage ou antecipa algum momento.
Aqui não existe necessidade de “ensinar ritmo” formalmente.
O bebê precisa viver experiências sonoras.
A própria BNCC prevê para os bebês a exploração de sons produzidos com o corpo e objetos do ambiente.
🌈 BNCC NA PRÁTICA
O principal campo de experiências relacionado às propostas é:
Traços, sons, cores e formas
Para manter nosso padrão simples, podemos destacar:
👶 Bebês — EI01TS01: Explorar sons produzidos com o próprio corpo e com objetos do ambiente.
🧒 Crianças bem pequenas — EI02TS01: Criar sons com materiais, objetos e instrumentos musicais para acompanhar diferentes ritmos.
👧 Crianças pequenas — EI03TS01: Utilizar sons produzidos por materiais, objetos e instrumentos musicais em brincadeiras de faz de conta, encenações, criações musicais e festas.
Para os bebês, a BNCC também contempla a exploração de diferentes fontes sonoras para acompanhar brincadeiras cantadas, canções, músicas e melodias.
💗 Direitos de aprendizagem e desenvolvimento
Conviver • Brincar • Participar • Explorar • Expressar • Conhecer-se
Sim, senhora Imaginar: desta vez seu nome nem chegou perto da lista. 🤣🪪🚫
📝 O que o professor pode observar e registrar?
Durante as experiências, observe como a criança reage aos diferentes sons, explora objetos e instrumentos, percebe mudanças sonoras, utiliza o corpo para produzir sons e movimentos, acompanha ritmos à sua maneira, cria novas possibilidades, imita ações e interage musicalmente com outras crianças e adultos.
Com os bebês, olhares, sorrisos, vocalizações, balanços do corpo, movimentos das mãos e dos pés, tentativas de alcançar instrumentos e repetição de determinadas ações também são registros importantes.
Não precisamos avaliar se a criança conseguiu executar corretamente uma sequência musical.
O mais importante é perceber como ela escuta, experimenta, cria e se expressa por meio dos sons e movimentos.
💕 Para finalizar
A música na Educação Infantil pode nascer de uma cantiga, de um instrumento, de duas mãos batendo palmas ou até do barulho de uma caixa sendo explorada.
Quando permitimos que as crianças escutem, experimentem e criem, elas deixam de ocupar apenas o lugar de quem reproduz uma música preparada pelo adulto e passam a ser participantes das experiências musicais.
Entre sons, movimentos, pausas e descobertas, cada criança encontra sua própria maneira de participar.
Antes de ensinar o ritmo à criança, podemos permitir que ela descubra quantos ritmos existem ao seu redor — e dentro dela. 🎵💗