🍂 Folhas da Natureza na Educação Infantil: uma Vivência de Exploração, Arte e Descobertas + BNCC

 

Uma folha caída no chão pode parecer algo muito simples aos olhos de um adulto. Para uma criança pequena, porém, ela pode guardar inúmeras descobertas: cores, texturas, formas, sons, cheiros, movimentos e pequenas marcas deixadas pela natureza.

Nesta vivência, as folhas não chegam às mãos das crianças com uma função determinada. Antes de pintar, carimbar ou criar com elas, existe tempo para tocar, observar, comparar, escutar, movimentar e descobrir.


🍃 “Antes de transformar uma folha em atividade, permita que ela seja folha nas mãos da criança.”

🍂 Preparando o convite à descoberta

Separe folhas de diferentes tamanhos, formatos, cores e texturas e organize-as em uma cesta, bandeja ou diretamente sobre um tecido no chão.

Sempre que possível, a própria coleta pode fazer parte da experiência. Durante um passeio pelo jardim, pátio ou outro espaço externo, as crianças podem observar as folhas que já estão caídas e escolher algumas para levar para a exploração.

🌿 Materiais possíveis:
• folhas variadas;
• cesta ou bandeja;
• tecido ou papel grande para organizar a exploração;
• lupa, se houver disponível;
• papel e tinta atóxica para um segundo momento.

👋 Primeiro: conhecer com as mãos

Apresente as folhas e permita que as crianças se aproximem delas livremente. Algumas poderão tocar imediatamente; outras talvez prefiram apenas observar antes de começar a exploração.

Elas podem virar as folhas, tocar suas nervuras, apertá-las delicadamente, colocá-las lado a lado, empilhar, separar, juntar ou simplesmente carregá-las de um lugar para outro.

O professor acompanha as descobertas sem determinar o que deve ser feito. Pode nomear aquilo que aparece espontaneamente: “Esta folha está sequinha...”, “Olha como essa é grande!”, “Essa parece bem macia...”.

👂 Que som uma folha faz?

As folhas também podem ser investigadas pelos sons. Convide as crianças a balançar, esfregar, movimentar ou apertar suavemente algumas folhas secas.

Será que todas produzem o mesmo barulho? Algumas quase não fazem som, enquanto outras estalam e se quebram com facilidade. Não é necessário oferecer respostas prontas: ouvir e experimentar já faz parte da descoberta.

🔎 Um olhar bem de pertinho

Depois da exploração inicial, podemos chamar a atenção para pequenos detalhes: as linhas das folhas, suas bordas, diferenças de tamanho, tonalidades, furinhos e outras marcas.

Uma lupa pode ampliar ainda mais a curiosidade, mas não é indispensável. Os próprios olhos e as mãos das crianças já são excelentes instrumentos de investigação.

💭 Perguntas que podem acompanhar a investigação:

“Será que todas são iguais?”
“Qual é maior?”
“Como essa folha está?”
“O que você encontrou nela?”
“O que acontece quando ela cai?”

As perguntas são convites para observar e pensar, e não perguntas com uma resposta que a criança precisa acertar.

🎨 Quando a exploração encontra a arte

Depois de bastante tempo para conhecer o material, as folhas podem encontrar a tinta e o papel.

Em vez de apresentar um modelo pronto para ser reproduzido, ofereça possibilidades. A criança poderá passar tinta sobre uma folha e experimentar seu carimbo, arrastá-la pelo papel, observar as marcas deixadas, sobrepor impressões ou criar livremente com os materiais disponíveis.

Algumas crianças podem se interessar muito pela pintura. Outras talvez continuem mais envolvidas em tocar e organizar as folhas. As duas experiências têm valor.

🎨 Importante: a proposta não precisa terminar em produções iguais. O foco está no processo, nas escolhas, nas descobertas e nas marcas que cada criança produz durante a experiência.

🌬️ Folhas que dançam

A exploração também pode chegar ao corpo e ao movimento. As crianças podem jogar folhas para cima e acompanhar sua queda, soprá-las, transportá-las em pequenos recipientes, juntar, espalhar e observar como se movimentam.

Uma brisa ou um vento leve também pode provocar novas descobertas: para onde as folhas vão? Todas se movimentam da mesma maneira?

Assim, um material aparentemente simples cria oportunidades de exploração sensorial, investigação, movimento e brincadeira.

👶 E com bebês e crianças bem pequenas?

A vivência pode ser oferecida aos pequenos com acompanhamento próximo do adulto, escolhendo folhas limpas, seguras e de tamanho adequado.

Para os bebês, não é necessário realizar todas as etapas. Tocar, observar, movimentar, ouvir o som e acompanhar uma folha caindo já podem constituir uma experiência rica.

O tempo de permanência também deve acompanhar o interesse das crianças. A vivência pode terminar quando a curiosidade diminuir e ser retomada em outro dia.

👩‍🏫 Qual é o papel do professor?

O professor prepara um ambiente convidativo, garante segurança, observa, escuta e acompanha as iniciativas das crianças.

Em alguns momentos, poderá ampliar a experiência com palavras, perguntas ou novos materiais. Em outros, sua melhor intervenção será simplesmente permitir que a criança continue investigando.

Fotos do ambiente e dos materiais, anotações de falas, gestos e descobertas ou registros das produções podem ajudar a documentar o percurso vivido, respeitando sempre as orientações da instituição sobre o uso de imagens das crianças.

👀 O que podemos observar nessa vivência?

Mais importante do que verificar se a criança produziu algo é observar como ela se relacionou com a experiência.

Podemos perceber sua curiosidade diante do material, as maneiras encontradas para manipular as folhas, suas reações às diferentes texturas e sons, os movimentos realizados, suas escolhas, interações com outras crianças e as hipóteses que surgem durante a exploração.

Esses pequenos acontecimentos ajudam o professor a conhecer melhor cada criança e podem indicar caminhos para novas propostas.

📚 Relações com a BNCC

A vivência pode dialogar principalmente com os campos de experiência:

🌿 Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações – ao observar características, diferenças e transformações presentes nos elementos da natureza.

🎨 Traços, sons, cores e formas – nas explorações de cores, marcas, texturas, sons e possibilidades expressivas.

🤸 Corpo, gestos e movimentos – ao soprar, lançar, transportar, recolher e acompanhar o movimento das folhas.

🤝 O eu, o outro e o nós – ao compartilhar materiais, espaços e descobertas com outras crianças e adultos.

💬 Escuta, fala, pensamento e imaginação – nas conversas, observações, perguntas, gestos e diferentes formas de comunicar aquilo que foi percebido.

🎯 Alguns objetivos que podem se relacionar à proposta

Para crianças bem pequenas, podem ser consideradas, de acordo com a forma como a vivência se desenvolve, habilidades como:

EI02ET01 – explorar e descrever semelhanças e diferenças entre características e propriedades dos objetos, como textura, massa e tamanho.

EI02ET03 – compartilhar situações de cuidado de plantas e animais nos espaços da instituição e fora dela.

EI02TS02 – utilizar materiais variados com possibilidades de manipulação, explorando cores, texturas, superfícies, formas e volumes ao criar objetos tridimensionais e produções artísticas.

EI02CG05 – desenvolver progressivamente as habilidades manuais, adquirindo controle para desenhar, pintar, rasgar, folhear, entre outras ações.

Os objetivos devem ser selecionados conforme a faixa etária, a intencionalidade do professor e aquilo que efetivamente foi proporcionado às crianças.

🦋 Direitos de aprendizagem presentes

Conviver • Brincar • Participar • Explorar • Expressar • Conhecer-se

💗 Para refletir

Nem toda experiência da infância precisa começar com uma produção a ser levada para casa.

Às vezes, aquilo que parece mais simples é justamente o que permite à criança permanecer mais tempo investigando, experimentando e construindo suas próprias relações com o mundo.

Uma folha pode virar carimbo, pintura ou composição. Mas, antes disso, ela pode simplesmente ser uma folha: algo que cai, dobra, quebra, faz barulho, possui linhas, muda de cor e desperta curiosidade.

🍃 A descoberta também é uma forma de aprender.

🦋 Mimos e Encantos da Educação
Vivências que respeitam o tempo, a curiosidade e as descobertas da infância.