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BRINCADEIRAS DE FAZ DE CONTA - 3 ANOS









Para que o brincar se transforme na atividade principal da criança, com impacto positivo na sua educação e na ampliação de suas experiências, é preciso organizar o espaço e selecionar materiais e objetos que provoquem sua imaginação. Diante de um estetoscópio, ela é levada a entrar na temática de "ser médico"; ao ver a mamadeira, torna-se "a mãe que dá mamadeira ao filho", um carrinho a leva a "passear com seu bebê".  A ausência de mobiliário, brinquedos e acessórios (que acompanham especialmente as bonecas) dificulta o brincar imaginário.

MOBILIÁRIOS, BRINQUEDOS E ACESSÓRIOS PARA FAVORECER BRINCADEIRAS IMAGINÁRIAS.
  • Bonecas-bebê com corpo macio e diferentes identidades étnicas e raciais); roupas fáceis de tirar e por; mamadeiras; cobertor/lençol de boneca; cama/berço, carrinho.
  • Fogão no tamanho da criança ( pode ser construídos com caixas de leite).
  • Pia, bacia ou tacho para lavar louças.
  • Geladeira do tamanho da criança.
  • Mesas e cadeiras do tamanho da criança.
  • telefone/celular (de brinquedo ou de uso doméstico)
  • Armário para guardar louça.
  • Vaso de flor ou fruteira como enfeite na mesa da cozinha.
  • Toalha de mesa da cozinha.
  • Quadros ou cortina imitando uma janela, que podem ser feitos pelas professoras ou mães com tecido cru, pintado pelas crianças com rolinhos e tinta guache.
  • Panelas de alumínio, barro, ferro ou aço.
  • Copos, tigelas, pratos de plástico e outros materiais, conforme usos locais.
  • Colheres, conchas, colher de pau, colheres de medida.
  • Escovas para limpar frascos.
  • Embalagens vazias de alimentos.
  • objetos ou brinquedos diversos para fazer comida.
Pode-se construir mobiliários simples para áreas de faz de conta como cama. sofá, banco, mesa, fogão, estante, com caixa de leite de papelão.


Fonte: Brinquedos, Brincadeiras e Materiais para Crianças Pequenas - Manual de Orientação Pedagógica - Módulo III

O QUE UMA CRIANÇA DE TRÊS ANOS CONSEGUE FAZER?







Agora ele quer "debochar" do vovô mostrando que consegue subir as escadas com um pé de cada vez e o vovô não. Que atrevimento.

Seu desenvolvimento postural permite subir escada colocando um pé em cada degrau, ficar sobre uma perna só e pedalar o triciclo. Não precisa mais usar fraldas, pois já consegue controlar bem a bexiga de dia e também durante a noite.
Como seu desenvolvimento intelectual está a todo vapor, os desenhos começam a ganhar forma. Faz bolas, bonecos, desenha a mamãe, o bebê, o papai. Também consegue colorir os seus desenhos e conhece os números até 10. Sabe inclusive dizer qual o seu sexo.
Seu vocabulário compreende mais de 1000 palavras e ele continua a perguntar incansavelmente o nome dos objetos que não conhece. Sua fala já é elaborada e suas frases completas, com verbos, pronomes, advérbios e artigos.
Socialmente, a criança está mais preparada para se ajustar a novas rotinas como, por exemplo, ir à escola. Nessa idade, ela se despede dos pais com mais facilidade, pois já tem capacidade de entender que eles voltarão para buscá-la mais tarde.
Com 3 anos, os pequenos conseguem receber instruções e obedecê-las, como, por exemplo: “é hora de guardar os brinquedos e lavar as mãos para almoçar”.
Uma grande diversão para eles é participar das tarefas da casa. E eles já são capazes de dar uma mãozinha, ajudando a lavar frutas, guardando livros e revistas espalhados pela casa, passando um paninho para tirar o pó dos brinquedos. Essas atividades ajudam a criança a desenvolver sua auto-estima e sua independência. 
Fonte: http://www.desenvolvimentodobebe.com.br

CARACTERÍSTICAS DAS CRIANÇAS DE TRÊS ANOS E ESTRATÉGIAS PARA ESSA FASE.








Aos três anos, as crianças começam a ter consciência de quem são e aprendem a conviver em grupo, fazendo negociações, dando explicações sobre as coisas que fazem. Elas já tem muitas experiências: manipulam objetos, constroem coisas e falam o tempo todo sobre o que fazem ou pensam. É uma fase de intenso desenvolvimento da linguagem e de grande interesse pelas brincadeiras imaginárias, momento em que as crianças conversam com elas próprias: é comum que, ao fabricar uma bruxa gigante, na área de construção, as crianças comparem o tamanho dos blocos, avaliem e concluam: "este bloco é grande, não serve...  este é do mesmo tamanho". A fala da criança para ela mesma é um importante guia para o seu pensamento e condução de ação.

É necessário, então, aproveitar essa riqueza e e interesses e preparar o ambiente de modo que haja espaços para a ocorrência de brincadeiras imaginarias e a expressão da individualidade. Um espaço estruturado com mobiliário, brinquedos e materiais compatíveis com os temas das brincadeiras e enriquecido com a interação da professora proporciona maior qualidade ao brincar.

Em razão do desenvolvimento rápido da linguagem da criança é importante utilizar não só a fala, como também a escrita e as imagens para ampliar as narrativas. A conversa diária na área da imitação, os rabiscos e desenhos que fazem ao colocar a carta no correio ou escreverem a receita médica na área do médico, são brincadeiras capazes de integrar essas diferentes modalidades de linguagem: o brincar de fazer a consulta, conversar com a mãe para "escrever a receita, já mobilizam a fala e a escrita, que também é visual, pois o desenho ou o rabisco são formas visuais de expressar significados.

Essa fase de desenvolvimento intenso da linguagem requer um ambiente tranquilo, sem excesso de ruído, que possibilite a compreensão da fala da professora e das outras crianças, mesmo durante as brincadeiras movimentadas. Como as histórias são momentos prazerosos, as crianças, além de ouvir, querem também participar, por isso grandes agrupamentos não são adequados, por criarem maior volume de ruídos, exigindo  um maior controle por parte da professora e a obrigando a pedir silêncio constantemente para ser ouvida. Se, por exemplo, houver 15 crianças e 2 adultos, é melhor dividir o agrupamento, e cada professora contar histórias separadamente, dando assim maior oportunidade às crianças de participarem  com menor nível de ruído. Pode-se planejar momentos para um grande grupo e outros para pequenos grupos, em que exerçam atividades diferentes das que ocorrem  ao mesmo tempo, de modo a atender melhor às necessidades de cada pequeno agrupamento. Basta organizar o tempo, o espaço e os materiais e fazer a supervisão e as mediações. 

Além do acesso diário aos livros, que devem permanecer em áreas apropriadas para serem escolhidos e "lidos", as crianças devem ter a oportunidade de aproveitar o gosto que nessa idade possuem pela música.

Nessa fase, as crianças já dominam um bom repertório de canções infantis, dançam e acompanham a professora, o pai a mãe ou convidados que toquem violão, portanto, é essencial aproveitar essa forma de expressão das crianças. 

Brincadeiras no exterior, na areia, com água,  agora demandam a presença constante do adulto para fazer perguntas, de modo a levar a criança a pensar sobre suas ações e levantar hipóteses.

Também  nessa idades as crianças se interessam por pequenos animais, bichinhos, aves, borboletas, joaninhas, minhocas. Esse interesse pode propiciar conversações livres, criando moimentos de atividades dirigidas para aprender, junto com as outras crianças e a professora, por meio de reflexão e investigação sistemática. Este é o potencial do brincar  nessa fase da vida da criança; forma de expressão que, pela interação com a professora e as outras crianças amplia experiências e impulsiona novos estudos. Fazer minhocário, jardim, horta ou composteira são projetos que envolvem as crianças.

Meninos, meninas devem  ter a mesma oportunidade de brincar com tudo: carrinhos, bonecas, construção. Pessoas de outros grupos culturais, com seus materiais, brincadeiras e brinquedos contribuem para ampliar as experiências lúdicas das crianças.

Fonte: Manual de Orientação Pedagógica - módulo III