Brincar de pirata pode transformar um espaço conhecido em um lugar cheio de possibilidades.
Uma caixa pode virar um barco. Um pedaço de papel pode se transformar em mapa. O jardim pode esconder pistas e um simples baú pode guardar muito mais do que um tesouro: pode guardar histórias, hipóteses, movimentos, encontros e imaginação.
Esta proposta faz parte da história do Mimos e Encantos da Educação. As experiências apresentadas nesta postagem foram realmente realizadas com crianças da Educação Infantil, e muitos dos materiais utilizados nas brincadeiras foram confeccionados pelas próprias professoras.
Ao revisitarmos essa experiência hoje, percebemos quantas outras possibilidades podem nascer quando deixamos um pouco mais de espaço para a participação e para as ideias das crianças. ❤️
⚓ Uma experiência que faz parte da nossa história
Na experiência original, realizada com turmas da Educação Infantil, as crianças conheceram o universo dos piratas por meio de conversas, imagens, desenhos, brincadeiras e uma divertida caça ao tesouro.
Também tivemos uma pirata muito especial participando da aventura: a professora Renilda, minha companheira de trabalho na época. ❤️
Foi ela quem confeccionou um grande barco utilizando materiais simples, como papelão e uma caixa plástica.
O barco tornou-se cenário para o faz de conta e mostrou algo que continuamos defendendo muitos anos depois:
para uma criança brincar, um material não precisa ser sofisticado. Ele precisa oferecer possibilidades.
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🗺️ 10 experiências para viver uma aventura de piratas
1. O que sabemos sobre piratas?
Antes de explicar ou apresentar respostas prontas, podemos descobrir o que as crianças já imaginam.
Como é um pirata? Onde ele vive? O que existe em um navio? Para que serve um mapa? Será que todo tesouro é ouro?
As respostas podem render conversas maravilhosas — e provavelmente algumas que nenhum adulto imaginaria. 😂
2. Construindo nosso barco
Caixas grandes de papelão, tecidos, caixas plásticas e outros materiais podem dar origem a um barco.
O professor pode ajudar na estrutura quando necessário, mas o cenário não precisa chegar completamente pronto.
As crianças podem participar das escolhas: onde ficará o leme? O barco precisa de bandeira? Quem vai entrar nele? Para onde vamos viajar?
Na experiência original do Mimos, o barco confeccionado pela professora Renilda foi um dos elementos que deram vida à brincadeira. ❤️
3. Um mapa que não precisa estar pronto
Em vez de entregar apenas um mapa produzido pelo adulto, podemos convidar as crianças a criar seus próprios mapas.
Riscos, círculos, caminhos, desenhos e marcas podem representar lugares importantes da aventura.
Para uma criança pequena, aquele risco comprido no papel pode significar perfeitamente:
“É por aqui que chega no tesouro!”
E isso basta para que o mapa cumpra sua função dentro da brincadeira.
4. Caça ao tesouro
Essa foi uma das experiências realizadas originalmente com as crianças e continua sendo uma excelente possibilidade.
Pistas podem ser espalhadas pelo jardim, pela sala ou por outros espaços seguros.
Mas não precisamos transformar a brincadeira em uma sequência rígida de comandos.
Podemos usar imagens, símbolos, objetos ou pequenas pistas:
“Procure perto de alguma coisa verde.”
“Onde existe um lugar para passar por baixo?”
“Será que há alguma pista perto das plantas?”
Assim, procurar o tesouro também se transforma em uma experiência de observação do espaço.
5. Caminhos de aventureiros
Para chegar ao tesouro, talvez seja necessário passar por diferentes desafios.
Entrar em uma caixa, atravessar um túnel, contornar objetos, caminhar por uma linha, passar por baixo de um tecido ou transportar alguma coisa são possibilidades.
Cada criança pode participar de acordo com suas possibilidades corporais.
O objetivo não é descobrir quem termina primeiro, mas viver o percurso.
6. O que existe dentro do baú?
Aqui podemos fazer algo diferente.
E se o professor não decidir sozinho qual é o tesouro?
Dentro do baú podemos colocar tecidos, conchas grandes e seguras, pedras bonitas de tamanho adequado, objetos brilhantes, potinhos, papéis, peças de madeira ou outros materiais interessantes.
Então podemos perguntar:
“O que será que encontramos?”
Uma criança poderá dizer que uma pedra é ouro.
Outra poderá transformar um tecido em capa.
Outra talvez apenas queira colocar e retirar objetos do baú.
O tesouro começa a pertencer à imaginação delas.
7. Inventando personagens
Nem toda criança precisa ser o mesmo pirata.
Na brincadeira podem aparecer capitães, navegadores, cozinheiros do navio, animais marinhos, exploradores e até personagens que não estavam no planejamento.
Um tecido pode virar capa, faixa, saia, bandeira ou qualquer outra coisa que a criança inventar.
O faz de conta cresce justamente quando não entregamos todos os papéis definidos.
8. Sons de uma viagem pelo mar
Como seria o som do mar?
E de uma tempestade?
E do barco navegando?
As crianças podem experimentar produzir sons utilizando a voz, o corpo e objetos disponíveis.
O professor também pode contar uma pequena aventura enquanto elas criam a paisagem sonora.
9. Nossa própria história de piratas
Não precisamos depender de uma história pronta para viver esse tema.
Podemos começar:
“Um dia, um pequeno barco apareceu no meio do mar...”
E perguntar:
“O que aconteceu depois?”
As crianças podem continuar com palavras, gestos, sons ou movimentos.
Talvez apareça um tubarão.
Talvez encontrem uma ilha.
Talvez o barco vá parar na Lua. 😂
Na imaginação infantil, nossa obrigação não é trazer o barco de volta para o oceano.
10. O tesouro pode ser uma experiência
Ao final da aventura, não é necessário que todas as crianças levem para casa o mesmo chapéu, tapa-olho ou lembrancinha.
Podemos guardar outro tipo de tesouro: desenhos feitos durante a brincadeira, mapas, fotografias dos materiais produzidos pelas professoras, registros das falas das crianças ou uma construção coletiva.
Porque algumas das melhores lembranças da infância não cabem dentro de uma sacolinha. ❤️
👶 E com crianças bem pequenas?
O tema também pode inspirar experiências simples para crianças menores.
Elas podem entrar e sair de grandes caixas, explorar tecidos, procurar objetos parcialmente escondidos, transportar elementos de um recipiente para outro, brincar com sons, acompanhar pequenas narrativas e explorar diferentes trajetos.
Não precisamos esperar que compreendam o conceito de “pirata” para proporcionar experiências de movimento, exploração e faz de conta.
Cada criança participa de acordo com aquilo que consegue fazer naquele momento.
🧭 Revisitando nossa própria prática
Quando esta experiência foi realizada, nós professoras planejamos e confeccionamos muitos elementos para proporcionar às crianças uma aventura especial.
E existe muito carinho nessa memória. ❤️
Hoje, ao revisitar aquela prática, podemos acrescentar uma nova pergunta:
“O que podemos preparar e o que podemos deixar para que as próprias crianças criem?”
Não significa deixar de construir um barco bonito, preparar um ambiente ou surpreender a turma.
Significa compreender que, depois que a brincadeira começa, ela também precisa pertencer às crianças.
O barco construído pelo professor pode ser o começo.
A viagem que acontece dentro dele pertence à imaginação infantil.
🌈 BNCC NA PRÁTICA
Experiências de faz de conta como esta podem dialogar com diferentes campos de experiência da BNCC, especialmente “Corpo, gestos e movimentos”, “Escuta, fala, pensamento e imaginação” e “O eu, o outro e o nós”.
Os objetivos específicos devem ser escolhidos conforme a faixa etária e aquilo que realmente será proposto. Em experiências envolvendo diálogo, narrativas e expressão de ideias, por exemplo, podem ser relacionados EI02EF01 e EI03EF01.
Quando a proposta envolve percursos, movimentos e exploração corporal, o planejamento também pode contemplar objetivos do campo “Corpo, gestos e movimentos”.
Os seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento podem aparecer ao longo das experiências: Conviver, Brincar, Participar, Explorar, Expressar e Conhecer-se.
❤️ Para guardar
Revisitar uma experiência realizada anos atrás não significa dizer que aquilo que fizemos estava errado.
Significa olhar para nossa própria trajetória e perceber que nós também continuamos aprendendo.
O barco de papelão, a professora transformada em pirata, o mapa, o baú e a caça ao tesouro continuam fazendo parte da história desta postagem e do Mimos e Encantos da Educação.
O que acrescentamos hoje é um novo olhar.
Talvez o maior tesouro de uma brincadeira não esteja escondido no final do mapa.
Talvez esteja no caminho: na criança que imagina, procura, pergunta, cria, se movimenta e transforma aquilo que oferecemos em algo que nem nós havíamos planejado. 🏴☠️❤️



