🐾 Animais na Educação Infantil: 10 Experiências de Investigação, Movimento e Descobertas + BNCC



Propostas lúdicas para conhecer características, movimentos, habitats e desenvolver atitudes de respeito aos animais

Os animais despertam naturalmente a curiosidade das crianças. Um cachorro passando na rua, uma borboleta no jardim, um passarinho na árvore ou uma pequena formiga no pátio podem provocar perguntas, observações e muitas descobertas.

Na Educação Infantil, trabalhar com animais pode ir muito além de mostrar figuras e pedir que as crianças digam seus nomes ou classifiquem cada um como doméstico ou selvagem.

Podemos criar situações em que elas observem, comparem, imitem movimentos, levantem hipóteses, conheçam diferentes modos de vida e desenvolvam atitudes de cuidado e respeito pelos seres vivos.

Vamos investigar esse mundo cheio de patas, asas, penas, pelos, escamas e muitas curiosidades? 🐾

👶 Para quais idades?

As propostas podem ser adaptadas para:

Bebês: zero a 1 ano e 6 meses
Crianças bem pequenas: 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses
Crianças pequenas: 4 anos a 5 anos e 11 meses

O professor pode selecionar as experiências mais adequadas ao grupo, respeitando os interesses, as possibilidades de participação e o desenvolvimento de cada criança.

🧺 Você vai precisar

Livros infantis e informativos sobre animais, imagens, miniaturas grandes e seguras, caixas, tecidos, materiais não estruturados, papéis, tintas e elementos naturais disponíveis no ambiente.

Quando houver observação de animais reais, ela deve acontecer sem capturar, assustar ou machucar os animais.

🐶 1. Animais que conhecemos

Comece com uma conversa simples:

“Que animais vocês conhecem?”

As crianças podem falar sobre animais que já viram em casa, na rua, no campo, em livros ou em outros contextos.

Apresente imagens ou livros e deixe que observem.

Em vez de buscar apenas o nome correto, amplie a conversa:

“O que você percebeu nesse animal?”

“Como ele se movimenta?”

“Onde será que ele vive?”

Assim, o conhecimento que as crianças já possuem se torna o ponto de partida da investigação.

👣 2. De quem será essa pegada?

Apresente imagens ou representações de pegadas de diferentes animais.

As crianças podem observar tamanhos e formatos e levantar hipóteses:

“Quem será que passou por aqui?”

Depois, mostre imagens dos animais correspondentes e compare.

As pegadas também podem formar um caminho pelo chão, transformando a investigação em uma brincadeira de movimento.

🐒 3. Como os animais se movimentam?

Convide as crianças a experimentar movimentos inspirados em diferentes animais.

Como um passarinho se movimenta?

E uma cobra?

Como um coelho poderia atravessar a sala?

Não precisamos buscar uma imitação perfeita. Cada criança pode interpretar o movimento à sua maneira.

Depois, inverta a brincadeira: uma criança cria um movimento e o grupo tenta descobrir qual animal a inspirou.

A imitação de gestos e movimentos de animais aparece explicitamente nas experiências corporais previstas para os bebês em documentos curriculares alinhados à BNCC.

👂 4. Que som é esse?

Utilize sons de animais, a própria voz ou recursos sonoros adequados.

As crianças podem ouvir e tentar descobrir:

“Que animal poderia produzir esse som?”

Depois, podem experimentar diferentes vocalizações.

Com os bebês, o professor pode produzir sons suaves, observar suas reações e acompanhar tentativas de vocalização.

O objetivo não é fazer um teste de acertos, mas proporcionar escuta, interação e brincadeira sonora.

🪶 5. Pelos, penas, escamas... como são os animais?

Utilizando livros e boas fotografias, observe com as crianças diferentes características corporais.

Alguns animais têm pelos. Outros têm penas. Há aqueles com escamas, carapaças ou pele com outras características.

Pergunte:

“O que vocês perceberam?”

“Esses dois animais se parecem em alguma coisa?”

“O que existe de diferente?”

Evite utilizar partes verdadeiras retiradas de animais apenas para montar uma atividade. Fotografias, livros e materiais representativos permitem investigar respeitando os seres vivos.

🌳 6. Onde vivem os animais?

Apresente imagens de diferentes ambientes: floresta, campo, rio, mar, árvores, solo e outros habitats.

Depois, conversem sobre os animais que podem viver nesses lugares.

Aqui podemos retomar a diferença entre animais que convivem historicamente próximos aos seres humanos e animais silvestres, sem reduzir a aprendizagem a duas caixinhas: “domésticos” e “selvagens”.

Explique de maneira simples que animais silvestres possuem modos de vida próprios e devem permanecer em ambientes adequados às necessidades de sua espécie.

🏠 7. Vamos construir um abrigo?

Disponibilize caixas, tubos largos, tecidos, blocos e outros materiais não estruturados.

Escolham alguns animais representados por miniaturas ou imagens e proponha:

“Será que conseguimos criar um lugar para este animal?”

As crianças podem construir ninhos imaginários, tocas, abrigos e outros espaços.

Depois pergunte:

“Por que você colocou isso aqui?”

“Do que esse animal precisaria?”

Não buscamos reproduzir cientificamente um habitat. Queremos favorecer investigação, criação e construção de hipóteses.

🐞 8. Pequenos animais do nosso jardim

Leve as crianças a um espaço externo seguro e convide-as a observar atentamente.

Talvez apareçam formigas, borboletas, joaninhas, minhocas, pássaros ou outros pequenos animais.

Se encontrarem algum:

“O que ele está fazendo?”

“Como está se movimentando?”

“Para onde será que vai?”

Não precisamos pegar o animal para conhecê-lo.

Uma das aprendizagens mais importantes dessa experiência é justamente:

Podemos observar sem machucar. 💚

📚 9. Histórias que têm animais

Escolha uma boa obra de literatura infantil em que apareçam animais.

Depois da leitura, converse sobre os personagens e as situações da história.

As crianças podem representar movimentos, recontar trechos, produzir desenhos ou inventar novas situações para os personagens.

Aqui existe um cuidado importante: o animal da literatura pode falar, usar roupas e morar numa casa porque faz parte de uma narrativa imaginária. O animal real possui características e necessidades próprias.

Essa diferença pode aparecer naturalmente nas conversas com as crianças maiores.

🎨 10. Nosso grande painel dos animais

Depois das investigações, proponha uma criação coletiva.

Em um papel grande, as crianças podem representar alguns ambientes e os animais pesquisados utilizando desenho, pintura, colagem e outros materiais.

O professor pode registrar pequenas falas:

“Escolhi o peixe porque ele vive na água.”

“Fiz asas para o passarinho.”

O painel passa a documentar as descobertas do grupo , e não apenas decorar a parede.

👶 E com os bebês?

Com os bebês, o tema pode ser explorado principalmente por meio de imagens, sons, movimentos, histórias e objetos seguros.

Apresente livros resistentes com imagens grandes de animais, produza sons, nomeie aquilo que o bebê observa e deixe que manipule miniaturas adequadas à idade.

O professor também pode realizar movimentos inspirados em animais e observar se o bebê acompanha com o olhar, movimenta o corpo, sorri, vocaliza ou tenta imitar algum gesto.

Não precisamos apresentar dez cartões seguidos perguntando:

“Que bicho é esse?” 😂

O bebê aprende participando da experiência, não fazendo prova oral.

A BNCC prevê que os bebês explorem o ambiente pela ação e observação, experimentando e fazendo descobertas.

🌈 BNCC NA PRÁTICA

O principal campo de experiências relacionado às investigações é:

Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações

As propostas de imitação e movimento também dialogam com:

Corpo, gestos e movimentos

Mantendo nosso padrão simplificado, destacaria estes objetivos:

👶 Bebês — EI01ET03: Explorar o ambiente pela ação e observação, manipulando, experimentando e fazendo descobertas.

🧒 Crianças bem pequenas — EI02ET03: Compartilhar, com outras crianças, situações de cuidado de plantas e animais nos espaços da instituição e fora dela.

👧 Crianças pequenas — EI03ET03: Identificar e selecionar fontes de informações, para responder a questões sobre a natureza, seus fenômenos e sua conservação.

Para experiências corporais com os bebês, também podemos considerar EI01CG03, relacionado à imitação de gestos e movimentos de outras crianças, adultos e animais.

💗 Direitos de aprendizagem e desenvolvimento

Conviver • Brincar • Participar • Explorar • Expressar • Conhecer-se

📝 O que o professor pode observar e registrar?

Durante as experiências, observe como a criança demonstra curiosidade pelos animais; percebe características e diferenças; formula perguntas e hipóteses; imita movimentos e sons; relaciona determinados animais aos ambientes em que vivem; utiliza livros e imagens para buscar informações; comunica suas descobertas por meio de gestos, fala, desenhos e brincadeiras; e desenvolve atitudes de cuidado e respeito pelos seres vivos.

Com os bebês, olhares, sorrisos, vocalizações, movimentos corporais, tentativas de alcançar uma imagem ou objeto e imitações também constituem formas importantes de participação.

O objetivo não é avaliar quantos nomes de animais a criança memorizou, mas perceber como ela observa, investiga, estabelece relações e amplia seus conhecimentos sobre os seres vivos.

💕 Para concluir

Conhecer os animais na Educação Infantil é muito mais do que aprender seus nomes ou separá-los entre domésticos e selvagens.

É observar uma formiga caminhando, perceber que um pássaro possui penas, imaginar como determinado animal se movimenta, descobrir onde diferentes espécies vivem e compreender gradativamente que os outros seres vivos também precisam ser respeitados.

Quando a curiosidade das crianças encontra boas perguntas, livros, brincadeiras, movimento e experiências de observação, o tema “animais” deixa de ser apenas conteúdo e se transforma em investigação.

Conhecer também é aprender a cuidar e respeitar. 🐾💚