🌈 Grande, Pequeno, Maior e Menor na Educação Infantil: 10 Experiências de Comparação + BNCC


Propostas lúdicas para explorar tamanhos, comparações e relações matemáticas por meio da brincadeira

As crianças constroem conhecimentos matemáticos em muitas situações do cotidiano: quando percebem que uma caixa cabe dentro de outra, escolhem um recipiente maior para guardar os brinquedos, comparam duas torres ou descobrem que determinado objeto não passa por uma abertura.

Na Educação Infantil, conceitos como grande, pequeno, maior e menor podem ser explorados por meio de experiências concretas, brincadeiras e investigações.

Mais importante do que apresentar uma ficha e perguntar “qual é o maior?” é oferecer situações nas quais a criança tenha motivos para observar, comparar, experimentar e chegar às próprias descobertas.

Vamos brincar com os tamanhos?

👶 Para quais idades?

As propostas podem ser adaptadas para:

Bebês: zero a 1 ano e 6 meses
Crianças bem pequenas: 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses
Crianças pequenas: 4 anos a 5 anos e 11 meses

O professor deve selecionar os desafios de acordo com as possibilidades do grupo. Com os bebês, por exemplo, a experiência acontece principalmente pela manipulação e exploração dos objetos. Com as crianças maiores, podemos acrescentar comparações, hipóteses e diferentes formas de organização.

🧺 Você vai precisar

Caixas, potes, bolas, blocos de construção, tecidos, folhas, gravetos, recipientes, brinquedos e outros objetos seguros de diferentes tamanhos.

Não é necessário comprar materiais específicos. Muitos objetos presentes na própria escola oferecem excelentes oportunidades de comparação.

📦 1. Caixas grandes e pequenas

Disponibilize caixas de diferentes tamanhos e permita que as crianças explorem livremente.

Elas podem empilhar, carregar, colocar objetos dentro, encaixar uma caixa em outra ou inventar outras formas de brincar.

Durante a exploração, o professor pode introduzir naturalmente algumas palavras:

“Você escolheu uma caixa grande.”

“Será que essa caixa menor cabe dentro daquela?”

O conceito aparece relacionado àquilo que a criança está fazendo, e não como uma palavra que precisa ser decorada.

⚽ 2. Bolas de diferentes tamanhos

Disponibilize bolas grandes e pequenas.

Primeiro, deixe que as crianças brinquem livremente. Depois, provoque algumas comparações:

“Essas duas bolas têm o mesmo tamanho?”

“Qual delas parece maior?”

Podemos também disponibilizar caixas ou cestos e investigar:

“Será que a bola grande cabe neste cesto?”

As crianças poderão testar suas hipóteses.

🧱 3. Torres: qual ficou mais alta?

Disponibilize blocos, caixas pequenas ou outros materiais de construção.

As crianças podem construir torres livremente e depois observar as produções.

“Qual torre ficou mais alta?”

“E qual ficou mais baixa?”

“O que podemos fazer para esta torre ficar mais alta?”

Não transforme a proposta numa competição para descobrir “quem ganhou”. O interesse está em perceber relações e encontrar estratégias.

Uma torre que desmorona também produz descobertas. 😂

🌿 4. Investigando tamanhos na natureza

No pátio ou jardim, procure com as crianças elementos naturais que já estejam no chão.

Podemos encontrar folhas grandes e pequenas, gravetos compridos e curtos, sementes ou pedras de tamanhos diferentes.

Coloque alguns elementos lado a lado e pergunte:

“O que vocês perceberam?”

“Estas folhas têm o mesmo tamanho?”

Além das relações matemáticas, a proposta favorece observação e contato com a natureza.

👣 5. Pegadas grandes e pequenas

Em vez de descobrir quem tem o maior pé da turma, como fazia nossa paciente em 2014 😂, vamos transformar as pegadas em material de investigação.

Prepare previamente marcas ou silhuetas de pés e patas de diferentes tamanhos — de pessoas, animais ou personagens.

Espalhe-as pelo espaço e convide as crianças a observar.

“Será que estas pegadas são iguais?”

“Qual é maior?”

“Qual é menor?”

As crianças também podem organizar as pegadas de acordo com os tamanhos.

Assim trabalhamos comparação sem criar um ranking entre características corporais das crianças.

🥣 6. Qual recipiente cabe dentro?

Disponibilize potes, cestos ou recipientes de diferentes tamanhos.

Deixe as crianças experimentar encaixes.

Um recipiente pequeno cabe dentro do grande?

O grande cabe dentro do pequeno?

O que acontece quando tentamos?

Essa experiência simples permite que a criança perceba relações de tamanho por meio da própria ação.

E algumas descobertas certamente virão acompanhadas daquele olhar:

“Professora... não cabe!” 😂

É justamente aí que existe aprendizagem.

🧸 7. Uma casa para cada brinquedo

Disponibilize brinquedos de diferentes tamanhos e caixas que possam representar suas “casas”.

Proponha:

“Será que conseguimos encontrar uma casa para cada brinquedo?”

As crianças experimentarão possibilidades.

Talvez um brinquedo grande não caiba numa caixa pequena. Talvez vários pequenos possam ocupar uma caixa maior.

O professor pode perguntar:

“Por que você escolheu essa caixa?”

A resposta pode surgir pela fala, pelo gesto ou simplesmente pela ação da criança.

🔎 8. Caça aos tamanhos

Convide as crianças a observar a sala ou outro espaço da escola.

“Será que encontramos alguma coisa bem grande?”

“E alguma coisa pequena?”

Depois, podemos comparar dois objetos encontrados.

Com as crianças maiores, acrescente desafios:

“Conseguimos encontrar algo maior do que este livro?”

“E algo menor do que esta caixa?”

Assim, as relações matemáticas passam a fazer parte da observação do cotidiano.

🪜 9. Organizando do menor para o maior

Com as crianças maiores, ofereça três ou mais objetos do mesmo tipo ou semelhantes, mas com tamanhos diferentes.

Podem ser caixas, potes, blocos, gravetos ou outros materiais.

Convide-as a encontrar uma maneira de organizá-los.

“Qual poderíamos colocar primeiro?”

“E depois?”

Não corrija imediatamente quando a organização for diferente da esperada. Pergunte sobre a escolha e permita novas tentativas.

A criança pode reorganizar os materiais conforme percebe novas relações.

🎨 10. Uma criação de muitos tamanhos

Disponibilize papéis, círculos, formas, caixas pequenas, tampas grandes adequadas à idade ou outros materiais de tamanhos variados.

Convide as crianças a produzir uma composição.

Elas podem sobrepor, aproximar, separar e combinar elementos grandes e pequenos.

Durante a criação, o professor pode conversar:

“Você colocou um elemento pequeno ao lado daquele grande.”

“O que aconteceria se trocássemos os dois de lugar?”

Assim, as relações de tamanho também aparecem em uma experiência artística.

👶 E com os bebês?

Com os bebês, não precisamos perguntar repetidamente:

“Qual é o maior?”

A aprendizagem acontece principalmente pela exploração concreta.

Disponibilize objetos seguros de diferentes tamanhos para que possam tocar, segurar, movimentar, retirar e colocar em recipientes.

Caixas e potes grandes o suficiente para não oferecer risco de engasgo podem proporcionar descobertas interessantes.

O bebê poderá perceber, pela ação, que alguns objetos são mais fáceis de segurar, que determinados objetos cabem em um recipiente e outros não, ou que dois materiais apresentam características diferentes.

O professor pode acompanhar essas descobertas com palavras:

“Este é grande.”

“Olha este pequenininho.”

“Esse não coube.”

Sem transformar a experiência em teste.

🌈 BNCC NA PRÁTICA

O principal campo de experiências relacionado às propostas é:

Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações

👶 Bebês — zero a 1 ano e 6 meses

EI01ET05 — Manipular materiais diversos e variados para comparar as diferenças e semelhanças entre eles.

🧒 Crianças bem pequenas — 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses

EI02ET01 — Explorar e descrever semelhanças e diferenças entre as características e propriedades dos objetos, incluindo tamanho.

EI02ET05 — Classificar objetos considerando determinado atributo, como tamanho, peso, cor ou forma.

👧 Crianças pequenas — 4 anos a 5 anos e 11 meses

EI03ET05 — Classificar objetos e figuras de acordo com suas semelhanças e diferenças.

Aqui os códigos ficaram especialmente bonitos porque existe uma progressão clara: o bebê manipula e compara; a criança bem pequena começa a explorar características e classificar por atributos; e a criança pequena amplia as possibilidades de estabelecer semelhanças, diferenças e classificações. Isso está muito mais coerente com a experiência do que encher a postagem de códigos só para parecer “BNCC”. 🌷

💗 Direitos de aprendizagem e desenvolvimento

Conviver • Brincar • Participar • Explorar • Expressar • Conhecer-se

📝 O que o professor pode observar e registrar?

Durante as experiências, o professor pode observar como a criança compara objetos; percebe diferenças de tamanho; experimenta encaixes; estabelece relações como maior e menor; cria critérios próprios de organização; modifica suas estratégias diante de um problema; utiliza palavras, gestos ou ações para comunicar descobertas; participa das investigações; e utiliza conhecimentos construídos em novas situações.

Não é necessário avaliar apenas se a criança consegue responder corretamente “este é o maior” ou “este é o menor”.

Muitas vezes, sua compreensão aparece na ação: ela escolhe espontaneamente a caixa maior para guardar um objeto grande, reorganiza três potes ou troca de recipiente depois de perceber que o primeiro não comporta determinado brinquedo.

Isso também é aprendizagem matemática acontecendo.

💕 Para finalizar

Grande, pequeno, maior e menor são relações que as crianças encontram diariamente.

Elas aparecem quando uma torre cresce, uma bola não cabe no cesto, uma caixa entra dentro de outra ou duas folhas são colocadas lado a lado.

Quando oferecemos materiais variados e situações interessantes, a matemática deixa de aparecer apenas em atividades impressas e passa a ser vivida nas brincadeiras, nas investigações e nas descobertas das crianças.

Na Educação Infantil, antes de preencher uma ficha sobre tamanhos, vale perguntar:

“Será que podemos descobrir isso brincando?” 💗

Na maioria das vezes, podemos. 🌈