Propostas lúdicas para explorar formas, objetos, construções, movimento, arte e descobertas matemáticas
As formas geométricas estão por toda parte: nas janelas, nas portas, nos brinquedos, nas construções, nos objetos da sala e em muitos elementos que fazem parte do cotidiano das crianças.
Na Educação Infantil, conhecer as formas pode ser muito mais do que memorizar seus nomes ou pintar um círculo, um quadrado e um triângulo em uma folha.
As crianças podem tocar, comparar, movimentar, construir, procurar, organizar e criar com as formas.
Por isso, em vez de começar perguntando:
“Que forma é esta?”
podemos oferecer diferentes materiais e provocar novas descobertas:
“O que você percebe nestas formas?”
“Onde encontramos formas parecidas com estas?”
Quando a criança investiga antes de receber todas as respostas, a matemática começa a fazer sentido a partir da experiência.
🌼 Para quais idades?
As propostas podem ser adaptadas para diferentes grupos da Educação Infantil.
Com os bebês, priorizamos a exploração sensorial, a manipulação de objetos, os movimentos e a descoberta do espaço.
Com as crianças bem pequenas e pequenas, podemos ampliar gradativamente as experiências envolvendo comparação, classificação, construção, localização, representação e reconhecimento das formas presentes no cotidiano.
O objetivo não é antecipar conteúdos formais do Ensino Fundamental, mas proporcionar situações nas quais as crianças possam observar relações, levantar hipóteses e construir conhecimentos brincando.
🟡 1. Primeiro, vamos explorar?
Disponibilize formas geométricas grandes e pequenas, de diferentes cores, espessuras e materiais.
Antes de apresentar seus nomes, permita que as crianças manipulem livremente.
Elas podem tocar, carregar, empilhar, aproximar, separar, girar e descobrir diferentes maneiras de brincar.
Observe as iniciativas das crianças.
Qual forma elas escolhem primeiro?
Tentam empilhar?
Fazem construções?
Agrupam algumas espontaneamente?
A exploração livre pode revelar muito sobre aquilo que já percebem.
🔍 2. Onde as formas estão escondidas?
Depois das primeiras explorações, convide as crianças a observar o ambiente.
Será que encontramos alguma coisa que lembra um círculo?
E um retângulo?
Uma janela, um relógio, uma placa, uma tampa ou uma mesa podem iniciar boas conversas.
Não é necessário que todos encontrem as mesmas respostas. O interessante é incentivar a criança a observar o mundo com outros olhos.
Podemos descobrir que as formas não moram apenas nos materiais pedagógicos.
Elas estão ao nosso redor.
✋ 3. Que forma será essa?
Coloque algumas formas dentro de uma caixa ou saco de tecido, de maneira que a criança possa colocar a mão sem enxergar o objeto.
Convide-a a tocar e investigar.
Tem pontas?
Tem lados?
É arredondada?
Depois da exploração, a criança pode retirar a peça e observar aquilo que percebeu pelo tato.
Com crianças menores, não precisamos transformar a experiência em uma adivinhação. Elas podem simplesmente tocar, retirar e comparar.
🤸 4. Formas que cabem no nosso corpo
Faça formas grandes no chão utilizando fita adesiva apropriada, cordas ou outros materiais seguros.
As crianças podem caminhar ao redor delas, entrar e sair, percorrer seus contornos e experimentar diferentes movimentos.
Também podemos brincar de criar formas utilizando o próprio corpo, individualmente ou em pequenos grupos.
Assim, aquilo que antes era apenas visto passa também a ser vivenciado corporalmente.
👣 5. Caminhos de formas
Organize algumas formas grandes no chão criando pequenos percursos.
As crianças podem caminhar entre elas, saltar, contornar, escolher caminhos ou inventar outras maneiras de percorrer o espaço.
Não é necessário transformar a brincadeira em competição nem eliminar quem “errar” uma forma.
Cada criança pode participar de acordo com suas possibilidades.
O objetivo é brincar, movimentar-se, observar e descobrir — não descobrir quem consegue ficar até o final.
🧺 6. O que combina com o quê?
Disponibilize diferentes formas e objetos e convide as crianças a organizá-los como desejarem.
Algumas poderão separar pela cor.
Outras pelo tamanho.
Outras poderão reunir objetos arredondados ou aqueles que possuem características semelhantes.
Depois, converse sobre as escolhas:
“Como você organizou?”
“Por que colocou estes juntos?”
Não precisamos esperar uma única classificação correta. O raciocínio utilizado pela criança também faz parte da experiência.
🧱 7. Construindo com formas
Ofereça blocos, peças geométricas ou formas grandes para construções livres.
Um quadrado pode ficar embaixo de um triângulo.
Dois retângulos podem virar uma torre.
Um círculo pode fazer parte de uma criação completamente inesperada.
Em vez de entregar um modelo para ser reproduzido, permita que as crianças decidam o que desejam construir.
Depois, elas podem contar sobre suas criações.
🎨 8. Quando as formas encontram a arte
Disponibilize círculos, quadrados, triângulos e retângulos recortados em diferentes tamanhos e cores.
As crianças podem combinar as peças livremente sobre uma superfície e criar imagens, composições ou personagens.
Um círculo pode virar sol.
Ou rosto.
Ou roda.
Ou talvez continue sendo apenas um círculo em uma composição abstrata.
O importante é não entregar um modelo que todas precisem copiar.
As mesmas formas podem dar origem a criações completamente diferentes.
🔵🟨🔵 9. Descobrindo sequências e padrões
Com as crianças que já demonstram interesse por organizações e repetições, podemos criar sequências simples utilizando formas, cores ou objetos.
Círculo, quadrado, círculo, quadrado...
O que poderia vir depois?
Em outro momento, o professor pode iniciar uma sequência e convidar as crianças a continuá-la.
Depois, são elas que podem criar seus próprios padrões para os colegas observarem.
Mais importante do que acertar rapidamente é perceber o que se repete e como os elementos estão organizados.
🌟 10. Agora a investigação é das crianças
Depois de diferentes experiências, organize novamente os materiais em um espaço acessível.
Desta vez, não determine o que deverá ser feito.
Observe.
Talvez as crianças retomem uma construção.
Talvez criem novas classificações.
Talvez encontrem formas em objetos que você nem havia percebido.
Talvez inventem uma brincadeira completamente diferente das anteriores.
Esse momento permite ao professor observar algo muito importante:
o que as crianças passaram a fazer com aquilo que descobriram?
👶 E com os bebês?
Com os bebês, não precisamos começar ensinando os nomes das formas.
Podemos disponibilizar objetos seguros de diferentes formatos, tamanhos e texturas para que sejam explorados por meio do olhar, do toque e dos movimentos.
O bebê pode segurar uma peça, bater uma na outra, tentar empilhar, colocar e retirar de recipientes, deslocá-la pelo chão ou acompanhar seu movimento.
Uma bola que rola e um bloco que permanece no lugar, por exemplo, já proporcionam descobertas sobre as características dos objetos e suas possibilidades de movimento.
O professor acompanha essas ações, nomeia algumas descobertas naturalmente durante a interação e oferece novas possibilidades de exploração.
Antes de reconhecer uma forma pelo nome, o bebê pode conhecê-la pelas experiências que vive com os objetos.
🌈 BNCC NA PRÁTICA
As experiências com formas geométricas podem ser relacionadas principalmente ao campo Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações, articulando-se também com Corpo, gestos e movimentos e Traços, sons, cores e formas.
Ao desenvolver propostas que envolvam percursos, posições e movimentos no espaço, outros objetivos da BNCC também podem ser selecionados pelo professor de acordo com a faixa etária e a experiência realizada.
Os direitos de aprendizagem e desenvolvimento presentes nessas experiências incluem Conviver, Brincar, Participar, Explorar, Expressar e Conhecer-se.
